quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Angústia

Angústia, ao atravessar um rio, viu uma massa de argila e, mergulhada nos seus pensamentos, apanhou-a e começou a modelar uma figura.
Quando deliberava sobre o que fizera, Júpiter apareceu. Angústia pediu que ele desse uma alma à figura que modelara. e. facilmente, conseguiu o que pediu.
Como Angústia quisesse, de si própria dar um nome à figura que modelara, Júpiter proibiu e prescreveu que lhe fosse dado o seu. Enquanto Angústia e Júpiter discutiam, Terra apareceu e quis que fosse dado o seu nome a quem ela fornecera o corpo.
Saturno foi escolhido como árbitro. E este, equitativamente, assim julgou a questão:
"Tu, Júpiter, porque lhe destes a alma, tu a terás depois da morte. E tu, Terra, porque lhe destes o corpo, tu o receberás após a morte. Todavia, porque foi Angústia quem primeiramente a modelou, que ela a tenha, enquanto a figura viver.
Mas, uma vez que existe entre vós uma controvérsia sobre o nome, que ela seja chamada 'homem', porque feita do humus."
(Fábula 220 de Caius Julius Hyginus, escravo pessoal do Imperador Caio Júlio César Octávio)

3 comentários:

Crônicas do Cotidiano disse...

De fato... A angústia nos entorpece... Aniquila e paralisa de maneira invisível e palpitante!

Bjooo

Rolando disse...

Olá. Estive por aqui. Muto bom. Gostei. Apareça por lá. Abraços.

Anônimo disse...

E é essa angústia que nos abre para o futuro.. que nos proporciona possibilidades de existir... que nos acompanha em todos os momentos da nossa existência. Não uma angústia patologizada, medicalizada e que se busca cura. Angústia é possibilidade de vida!