segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Circo da Madrugada, Paris

Uma pausa no riso e na alegria
para se sentar à mesa, ao meio-dia.
(Texto Nei Leandro de Castro, foto autor desconhecido)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ars poetica

Ah, definir a poesia
de uma maneira
tão simples e bela
que as pessoas
repitam a definição
como se fosse delas.
(Poema de Nei Leandro de Castro in Musa de Verão, foto de Sandra Porteous)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Diário de Viagem

Os espelhos florentinos
fesceninos espreitavam
ela penetrada em mim
e eu penetrado nela.
Do portal atrás de nós
o outono derramava
uma claridade amarela.
Contra essa luz fixei
a suave nudez dela:
o sexo recém-lambido
e seus seios de donzela.
Nossos gemidos eram altos
como os sinos da Igreja
de Santa Maria Novella.
(Poema de Nei Leandro de Castro in Era uma vez eros, foto de Sandra Porteous)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Amor a Roma

Mais duradouros que as pedras dos monumentos, na quase totalidade destruídos, durante séculos, são os versos, os discursos, os pensamentos, as leis, as narrativas históricas dos romanos. Os monumentos intelectuais, expressos em palavras, resistiram a todas as destruições e mudanças. Tudo consome a poeira do tempo, exceto as idéias que germinam nas sementes das palavras, reunidas nas espigas das frases, multiplicadas nas searas das obras fecundas. No barro, na pedra, no papiro, no bronze, no pergaminho, no papel, as palavras-sementes fazem germinar as idéias, que vão e voltam, mas não morrem, que aplacam sofrimentos, enlevam espíritos, arrebatam consciências, conformam a conduta, incendeiam multidões.
(Texto de Afonso Arinos de Melo Franco em Amor a Roma, foto de Sandra Porteous)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Alma das ruas cariocas

Oh! Sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, esplinéticas, esnobes, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes que ficam sem pinga de sangue.
(Texto de João do Rio, foto de Sandra Porteous da Rua Aprazível em Santa Tereza)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dois Poemas de Florença - Santa Trinità

Na ponte Santa Trinità
uma bela menina florentina
de pernas longas, saia curta
e um lindo sorriso
aguarda que um Dante lhe aponte
os caminhos do inferno e do paraíso.
(poema de Nei Leandro de Castro, foto Sandra Porteous)

Dois poemas de Florença - Ponte Vecchio

Ao pôr-do-sol em Florença
o ouro das ouriversarias
da Ponte Vecchio
cai sobre o Arno que se arrasta
e sente frio
e que até então
estava triste
em sua solidão de rio.
(poema de Nei Leandro de Castro, foto de Sandra Porteous)