quarta-feira, 15 de junho de 2011

Rua da Estrela

Vésper vinha se banhar
nas poças d'água da rua.
E quando a chuva era forte
cresciam as colisões
dos dez barcos de papel
navegando o meio-fio.
No casarão à direita
quase esquina com Apodi,
os pastoris encantados
do velho Miguel Leandro.
Um poeta, quase padre,
viveu nesse casarão
e fez fábula, fábula, fábulas
de palavra e cantochão.
O capitão Marranegra
mandava baixar o braço,
sofria mais que gritava,
fazendo papel de fraco.
Rua descalça, de areia,
território de batalhas,
meu reino para a menina
levantar a sua saia.
***
Se essa rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar,
voltava a ser da Estrela
e não José de Alencar.
(Poema de Nei Leandro de Castro in "Autobiografia)

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